Universidade Sénior.

Lição número XIV, XXVII/II/MMXV d.C.
Sumário: Verificação e correção do TPL (Trabalho para Lar). Teste Oral (Para ver se o aparelho auditivo ainda está funcionável). Revisão da matéria dada (Há 5 minutos para os que sofrem de Alzheimer).

Numa Universidade Sénior, os alunos não querem sentar-se na última fila, ou é frontline ou o estigmatismo e as cataratas não permitem que vejam a letra de tamanho 72 que está a ser projectada no quadro. Quando eles pedem para ir fazer xixi e a Professora diz que podem, eles respondem "Obrigada............. já está". O toque é também meramente informativo, mas não é para informar que é a hora de saída da aula, mas sim que está na hora de tomar os medicamentos para a osteomielite. O Bufete chama-se Buphete, e só vendem comidas softs para evitar que a placa dentária risque. A Enfermaria é o lugar mais populado da escola, repleto de Donas Lurdes que quiseram-se armar e responder às perguntas da Professora no quadro, acabando por partir uma anca ao tentarem levantar-se das cadeiras. Nas casas de banho há um fraldário. O escalão A é para quem tem reforma baixa.
Pode parecer uma balbúrdia na quinta esta Universidade, mas as notas dos Exames são as mais altas de Portugal... nos exames de História... porque todos aqueles que ainda não têm problemas de memória ainda se lembram do que viveram.
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Abuelita.

Nem todos têm a oportunidade de se gabarem que a sua avó é a Ministra... da comunhão.
Tem um doutoramente em ser católica, que é o mais próximo que alguém da família esteve de entrar na Católica. Não a considero fanática pela religião, é apenas uma groupie de Jesus Cristo.
Passou os primeiros 13 anos da minha vida a dar-me todos os Natais "A Minha Primeira Bíblia", não percebendo a ironia da coisa. Ganhou street credit por ser a responsável a dar a comunhão aos que andam desorientados e sem fé pelo Mundo, respeito de rua por parte de todos os sem-abrigos pois é ela que dá alimento para eles, para não esquecer o cartão vitalício que dá acesso directo às cozinhas da Sopa dos Pobres.
Depois de uma longa noite de festa a ler 4 edições de Bíblias diferentes à procura de erros históricos numa, vai ao after: A missa das 8h. Javardo total. Manda LSD chamado "Hóstias" que a fazem ter grandes tripes, como ter aparições de Nossa Sra. de Fátima e de um anjo que anda a trollar virgens a dizer que estão prenhas. Faz shots de Sangue de Cristo, e em afters mais agressivas, vai de cálice. Há cantos gregorianos que ainda não percebi muito bem para que servem, mas pelo nome acho que é para chamar o gregório para quem está a bater mal. O Padre da Igreja é tipo o Paulo Pinto do Hard Club, o que anima a festa. Ainda nem sei como se não se lembraram de levar o famoso rapper português Bispo para ir lá actuar. Nem como nunca os vi a fazer um charro em cruz (um cross joint).
Para terminar o after, a casa paga uma rodada a todos os que estão presentes de água minada, a que eles gostam de chamar "Água benta". Aí quinam todos, põem-se de joelhos a sussurrar algo (acredito que estejam a focarem-se para não morrerem), e só no Domingo seguinte é que estão prontos para outra.
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Aniversário da Avó.

Hoje tem #73Mila. Vai ser até às 21h non stop. Apanhar a real (seca). #BeberCairPartirAAnca.
Só em festas deste calibre é que a família se reúne toda. Desde a tia que encontras sempre na rua quando sais com os teus amigos, até aos familiares que já não os vês desde o #72Mila. Quando pensas que tens uma família vergonhosa, é nestas noites que consegues a confirmação.
Tal como num texto argumentativo, festas destas estão divididas em 3 partes:
Introdução- A tua família chega atrasada, com a tua mãe com uma tarte na mão e nós, os filhos, com dois saquinhos da Modalfa para a aniversariante. O cheiro do guisado invade a cozinha, e os adultos começam a conversa de chacha habitual a perguntar às mulheres que têm o marido no estrangeiro como vai ele. A introdução costuma ser curta, mas no aniversário da Avó Mila são bastante longas porque aqueles tios com 3 primos crianças estão uns sólidos 45 minutos atrasados.
Desenvolvimento- Chegaram todos. Podes já ter um mestrado que a ficas na mesa dos primos ranhosos que ainda usam a fralda apesar de a médica já estar a dizer há 7 meses que têm de aprender a usar o pote. Se tiveres muita sorte, a tia preguiçosa não te pede para dares a papa à boca da criança. E se conseguires ignorar os gritos histéricos que eles fazem ao brincar com as batatas fritas, ouves as piadas hilariantes que estão a contar na mesa dos adultos e o festival de Verão a que a tua avó foi: Fátima a pé, confirmados 200 padres e 65 sacerdotes, 2 missas por dia e o terço é o after. O almoço já está a acabar e os adultos decidem brindar champanhe. Apesar de já beberes há anos, a tua mãe continua a ficar chocada quando aceitas o álcool, então tens de beber lentamente e com cara de nojo quando dás um gole para ela não desconfiar nas tuas saídas, naquelas que já estiveste prestes a entrar em coma alcoólico.
Conclusão- Os bebés estão com a barriga cheia e adormecem, e os pais espertinhos aproveitam isto como desculpa para irem para casa, e lá vão eles. Tu e os primos da tua idade acabam por ficar no sofá da sala a ver Money Drop e ninguém tem coragem de referir que está a dar Hawaii Força Especial na Fox, e estão todos muito colados uns aos outros para poderes ir à net tweetar a seca que estás a apanhar. Com o passar do tempo, tu e os teus pais acabam por ser os sacrificados do aniversário e têm de ficar a lavar a louça para que a Dona Emília não tenha de estranhar a unha e para que a humidade da água quente não estrague o novo capacete que fez na Fátima. Depois de inúmeros pontapés nas pernas dos teus pais, lá vais embora para casa às 6h da tarde.
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Augusto sê doce connosco por favor.

Pensas que ainda estás na primeira quinzena de Julho quando recebes uma mensagem da Yorn a dizer que o teu pacote de dados foi renovado e vês imagens no Instragram a dizer "August be good please".
Cai-te tudo em cima. Vão começar os melhores festivais de Verão agora, a última chance de te divertires antes de voltares às idas à Staples para comprares uma régua flexível da Maped para condizer com a mochila do D8 que compraste no Continente com desconto em cartão.
Os que vão ao Surf at Night: Já perceberam porque é que se chama SAN: Sem Anunciar Nada. Falta uma semana e ainda nem sabem se vão comprar o passe semanal quando só dia 8 é que aparenta valer a pena ir. Às cegas quanto ao que vai haver nos dias grátis que vai haver este ano. Ainda a recuperar da surpresa de o Bezegol ir lá actuar... quase. O número do dealer já está em marcação rápida, já andam a recolher todos os cartões da CP estragados que têm para usarem como filtros. Fazem refresh na página do SAN no Facebook para ver se há informações mais detalhadas, mas parece que a Organização não está para aí virada. Aloha família.
Os que vão ao MEO Sudoeste: Zimbora para a Zambojeira do Mar. A tenda que já não era tocada desde os tempos de Escuteiros sai da garagem e vê um raio de luz ao fim de 7 anos. O carro anda com os pneus da frente levantados devido ao peso das cervejas que estão na mala. As cordas vocais estão preparadas para passarem 5 dias a gritarem "OH ELSAAAAA". Os rapazes já arranjaram bandanas e as raparigas o seu chapéu de palha do Licor Beirão. Mal podem esperar por passarem 120 horas sem fazer cocó.
Os que vão ao Paredes de Coura: Está tudo desesperado porque não conseguem arranjar selfie sticks para câmaras analógicas. Em termos de atum já estão abastecidos para os dias todos e a venda de cogumelos e LSDs aumenta exponencialmente nos dias de festival. Estão todos a preparar-se mentalmente para acordarem durante 4 dias seguidos com ressaca de vinho tinto e para os que moram longe, ainda estão a tentar perceber o caminho da estação para o recinto.

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Viagem Medieval.

Sabes que quem diz "VM" vai lá pelo hidromel a 50 cêntimos, pelas copadas de sangria e com o intuito de encontrar pessoas que segue nas redes sociais, enquanto os que dizem "Feira Medieval" vão confirmar se a encenação de D. Afonso III a conquistar território mourisco é igual às 19 edições anteriores, à parada dos leprosos e cumprimentar a cabrinha que acabaram por se afeiçoar depois de tantos anos a visitá-la.
Os VMers procuram ir ao recinto todas as noites, havendo uma preocupação prévia desta Feira começar de tentarem arranjar a pulseira que dá acesso a todos os dias da Viagem. Ficam chateados com os pais porque só deram dinheiro suficiente para pagar 80% de todas as noites, obrigando-os a pedir a Deus que os abençoe com amigos generosos, capazes de pagar uma bebida aos pobres. É indispensável não saírem um bocadinho das tasquinhas só para irem tirar umas fotos com os candeeiros coloridos nas barracas de venda. As raparigas deste grupo vão vestidas com um poncho, calções de ganga, Vans rotas para que não haja problema em borrá-las com pó e um coco oco como mala. Lá fazem tererés e tatuagens com Henna, já levando uma imagem de uma que encontraram no Tumblr para dar à tatuadora, como referência ao que querem tatuar. Os rapazes... não saem das tascas.
Quer nas VMers, quer nos VMers, todos enfrentam o mesmo problema diariamente: Boleias. Vão de Vouguinha, voltam a nado. Sugiro que raptem um camelo dos árabes que andam por lá e façam-se à estrada.
Os FMers limitam-se a divertir-se ao ver pessoas a calcarem poios de cavalo que andam pelo chão, e riem-se quando passam pelos WC's e tem lá uma placa a dizer "Esterqueiras".
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