Augusto sê doce connosco por favor.

Pensas que ainda estás na primeira quinzena de Julho quando recebes uma mensagem da Yorn a dizer que o teu pacote de dados foi renovado e vês imagens no Instragram a dizer "August be good please".
Cai-te tudo em cima. Vão começar os melhores festivais de Verão agora, a última chance de te divertires antes de voltares às idas à Staples para comprares uma régua flexível da Maped para condizer com a mochila do D8 que compraste no Continente com desconto em cartão.
Os que vão ao Surf at Night: Já perceberam porque é que se chama SAN: Sem Anunciar Nada. Falta uma semana e ainda nem sabem se vão comprar o passe semanal quando só dia 8 é que aparenta valer a pena ir. Às cegas quanto ao que vai haver nos dias grátis que vai haver este ano. Ainda a recuperar da surpresa de o Bezegol ir lá actuar... quase. O número do dealer já está em marcação rápida, já andam a recolher todos os cartões da CP estragados que têm para usarem como filtros. Fazem refresh na página do SAN no Facebook para ver se há informações mais detalhadas, mas parece que a Organização não está para aí virada. Aloha família.
Os que vão ao MEO Sudoeste: Zimbora para a Zambojeira do Mar. A tenda que já não era tocada desde os tempos de Escuteiros sai da garagem e vê um raio de luz ao fim de 7 anos. O carro anda com os pneus da frente levantados devido ao peso das cervejas que estão na mala. As cordas vocais estão preparadas para passarem 5 dias a gritarem "OH ELSAAAAA". Os rapazes já arranjaram bandanas e as raparigas o seu chapéu de palha do Licor Beirão. Mal podem esperar por passarem 120 horas sem fazer cocó.
Os que vão ao Paredes de Coura: Está tudo desesperado porque não conseguem arranjar selfie sticks para câmaras analógicas. Em termos de atum já estão abastecidos para os dias todos e a venda de cogumelos e LSDs aumenta exponencialmente nos dias de festival. Estão todos a preparar-se mentalmente para acordarem durante 4 dias seguidos com ressaca de vinho tinto e para os que moram longe, ainda estão a tentar perceber o caminho da estação para o recinto.

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Viagem Medieval.

Sabes que quem diz "VM" vai lá pelo hidromel a 50 cêntimos, pelas copadas de sangria e com o intuito de encontrar pessoas que segue nas redes sociais, enquanto os que dizem "Feira Medieval" vão confirmar se a encenação de D. Afonso III a conquistar território mourisco é igual às 19 edições anteriores, à parada dos leprosos e cumprimentar a cabrinha que acabaram por se afeiçoar depois de tantos anos a visitá-la.
Os VMers procuram ir ao recinto todas as noites, havendo uma preocupação prévia desta Feira começar de tentarem arranjar a pulseira que dá acesso a todos os dias da Viagem. Ficam chateados com os pais porque só deram dinheiro suficiente para pagar 80% de todas as noites, obrigando-os a pedir a Deus que os abençoe com amigos generosos, capazes de pagar uma bebida aos pobres. É indispensável não saírem um bocadinho das tasquinhas só para irem tirar umas fotos com os candeeiros coloridos nas barracas de venda. As raparigas deste grupo vão vestidas com um poncho, calções de ganga, Vans rotas para que não haja problema em borrá-las com pó e um coco oco como mala. Lá fazem tererés e tatuagens com Henna, já levando uma imagem de uma que encontraram no Tumblr para dar à tatuadora, como referência ao que querem tatuar. Os rapazes... não saem das tascas.
Quer nas VMers, quer nos VMers, todos enfrentam o mesmo problema diariamente: Boleias. Vão de Vouguinha, voltam a nado. Sugiro que raptem um camelo dos árabes que andam por lá e façam-se à estrada.
Os FMers limitam-se a divertir-se ao ver pessoas a calcarem poios de cavalo que andam pelo chão, e riem-se quando passam pelos WC's e tem lá uma placa a dizer "Esterqueiras".
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Bubadeira.

É muito bonito quando dizem que não precisam de beber para se divertirem numa festa, mas ninguém pode negar que é a bebedeira que faz a noite.
Mesmo antes de beberes, sabendo que vais apanhar a bebedeira, já estás com uma jarda psicológica: Tens a mesma quantidade de álcool no sangue que a Ammy Whinehouse nos últimos 4 anos mas já estás a socializar com maior facilidade.
O Manelinho faz anos, os pais confiam-lhe a casa, e assim começa a festa.
Primeira hora da festa é o aniversariante a explicar por telemóvel onde vive para quem vem de longe. Já estando a falar com a mãe do colega ao telefone, torna-se difícil explicar onde mora quando a mãe não conhece a Padaria Bom Cantinho ou a Capela local.
Chegam todos, começam a reunir-se para começarem a beber.
Primeiro shot. Tequila. Usam sal grosso porque, por alguma razão, o Manelinho não tem sal fino em casa. Começam as perguntas dos mais novatos: "É shot, sal, limão ou limão, shot, sal?" e depois de perceberem que é "Sal, shot, limão" conseguem estragar o esquema todo e ficarem com o sal na mão.
Segundo shot. Vodka morango. Os rapazes recusam-se a participar nesta ronda para afimar a sua masculinidade.
Terceiro shot. Vodka preta. Aqui começam os snaps antes que a língua volte à cor normal. Mais uma vez, os machos recusam-se a beber pelos mesmo motivos e ficam a beber a sua Mini enquanto a sua Whisky-Cola está no frigorífico porque a Pepsi estava quente.
A noite vai passando. As "bebidas de raparigas" desaparecem, juntamente com os sumos de maracujá. Os copos de plástico de shot já estão todos a serem reaproveitados. Só a vodka pura e o Whisky vai sobrevivendo. Já está tudo com grande bebedeira, onde convertido à unidade métrica das pitas, "uma grande bebedeira" é equivalente a "uma Somersby e meia" em unidade S.I. desta escala.
Os rapazes: Todos muito zens. Formam um círculo com Mundo Segundo a dar na coluna portátil do telemóvel de um a fazer o deles.
As raparigas: Uma a gregar-se toda porque esqueceu-se que estava medicada com Centrum For Kids. Outra histérica porque já passa da hora de tomar a pílula dela. Um enxame de outras reunidas a tirarem fotos às suas línguas. Outras, sóbrias que passaram a noite toda ao telemóvel, a tirar fotos com olhos de cegas a fingir que estão a ter o momento da vida delas. Uma a urinar no quintal da casa, num momento de desespero.
No meio desta balbúrdia toda, só aquela pessoa que está com a bebedeira no ponto (Que tem percepção do movimento de rotação da Terra, que ri-se da palma da mão, que anda só com uma sapatilha no pé, que diz teorias parvas o suficientes para a internarem no Magalhães Lemos) é que se está a divertir verdadeiramente.
Os que têm os pais a virem-nos buscar, ficam sóbrios no momento em que a mãe liga a dizer que está lá fora. Os que vão ficar a dormir lá, preparem-se para uma noite a dormir no azulejo do chão duro e gélido até às 9h, onde vos espera uma manhã de limpezas com hálito de quem está com uma virose terminal.

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É uma casa portuguesa, com certeza.

Para seres o verdadeiro portuguesinho, tens de ter uma família à  português também. Para assim o ser, tens de ter estes parentes:
1) O Tomané e a Graça - O Tomané assemelha-se a um barril com duas pernas. Usa camisola de Portugal do Euro 2004 e uma cruz de ouro fingido ao pescoço. Tomané é o mais portuguesinho que se encontra, não sabe ler nem escrever mas sabe as últimas novidades da Worten. Sabe de cor os preços dos tablets rascas que saíram, na mala do seu Fiat Punto tem uma aparelhagem mais pesada que o próprio carro, e tem o CD Top Kizomba 2000 no leitor de discos. A Graça é enfermeira. Não tem curso, mas já massajou a perna de uma prima e a prima gostou. Tem a casa inundada com santas e ácaros, e no quarto dos hóspedes está a sua mãe a bater as caçuletas e a única razão que tem para a acolher é que está à espera que ela estique o pernil para que a reforma "da velha" vá para ela. O maior orgulho deste casal é o seu filho, o Ivo. Ivo tem um curso. Andou na Escola Profissional de Amarante em Informática. Graça gaba-se sempre de ele ter tido média de 10.3, a melhor na turma, o que o levou a 3 anos no desemprego então trabalha agora numa churrasqueira e namora com uma senhora da idade da sua mãe.
2) O Tio Alberto e a Tia Cândida- Para quem já viu o filme Gaiola Dourada, sabe que tipo de casal é este. Os verdadeiros Avecs. Vivem em França e passam o Verão em Portugal. Em 37 anos nesta rotina, nunca se incomodaram em ir uma vez ao Algarve ou visitar outros sítios de Portugal. Uma vez foram à Madeira onde se chatearam com o genro por ele querer comer em restaurantes quando a Cândida e o Alberto já tinham os tupperwares com a comida preparados. Almoçam às 12:30h e às 19:00 já estão todos na mesa para jantar.
3) A Marta e o Joca- O casal jovem e fixe. A Marta é decoradora de interiores e o Joca é baixista da banda IRS (Isto Rocka Sempre). Quando te visitam trazem bilhetes de um concerto comprados na Fnac e o Joca sugere sempre que ouças The Black Mamba. Aqueles que, sem avisar ninguém, postam no Facebook uma imagem deles a andar de bicicleta pelas jardins de Amesterdão.
4) A Cristina e o Zé- Os que têm a casa mais fixe, com piscina, mobília moderna, mas só há um problema: Não se vê o chão graças aos 3 filhos, todos crianças. Cristina deve laquear as trompas antes que mais uma desgraça aconteça. Os três filhos, dois rapazes e a mais nova rapariga têm um vício estranho, o ketchup. Massa com ketchup, alface com ketchup, sopa com ketchup. São os últimos a chegar a todos os eventos, mas vêm sempre todos perfumados e com óculos do sol todos a condizer. Está higiene toda desaparece quando começam todos a fazer cocó na fralda e Cristina finge durante uma tarde inteira não sentir o cheiro que queima os pêlos das narinas de toda a gente.
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Ovelha negra da família.

Quando tu e o teu grupo de amigos organizam um jantar só com o objectivo de passar uma noite a falar mal sobre aquela pessoa, sem te aperceberes, os teus pais fazem o mesmo. Chama-se "Jantar de família". E a vítima és tu.
O bullying já começa antes de os convidados chegarem, quando metes os guardanapos que aparentemente não condizem com o conjunto de louça eleito pela mãe para tentar impressionar a sogra, quando a posição dos talheres aparentemente não está de acordo com o feng shui da mesa, quando metes os copos da Coca-Cola que ganhaste no McDonalds em 2007 por teres comprado dois Sundaes mas não são o aesthetic da tua progenitora. Todos estes desleixos da tua parte que levam a uma discussão agressiva, fazem com que tenhas de passar o jantar inteiro a fingir que amas a tua mãe.
O Ice Tea está quente, o teu primo de 9 anos já se cansou de ver vídeos sobre o Minecraft então já te fez a típica pergunta se tens jogos no telemóvel e mentires ao teu primo em frente aos teus tios torna-se cada vez mais desconfortável, a tua mãe já te obrigou a interromper a tua ceia inúmeras vezes para ir buscar uma coisinha à cozinha, a TV já está na RTP1 às alturas para o teu avô ficar satisfeito, e como de esta diversão toda já não bastasse: Ouves o teu pai a inventar histórias más tuas só para poder ficar visto como o engraçadinho da mesa.
"Deixa sempre a toalha molhada em cima da cama!" Aconteceu uma vez, na Páscoa de 2012 porque a família chegou e não tive tempo de a arrumar.
"Em tudo o que mexe, tudo parte. Uma autêntica elefante." Parti um copo no Natal de 2000 porque tinha 3 anos e não sabia o que fazia.
"Está sempre no computador a fazer publicações no Facetrucas ou Facebookas ou sei lá como se chama" Partilho uma música de semana a semana. E já não mexo num computador há meses. Uso o telemóvel.
Já me andei a informar sobre lares na região, agora é só esperar. 
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